segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Chico Anysio Show


CHICO ANYSIO SHOW
Redação final: Chico Anysio
Direção: Eduardo Sidney, Zelito Vianna
Período de exibição: 04/03/1982-02/08/1990
Horário: às quintas-feiras, 21h20
- Dirigido por Eduardo Sidney e Zelito Vianna, Chico Anysio Show era exibido às quintas-feiras, às 21h20, e trazia novas criações do humorista brasileiro com o maior número de personagens no currículo.
- Entre os novos personagem, destacam-se o galã com voz dublada Bruce Kane, uma sátira aos heróis do cinema americano; Biu, nordestino cujo ideal era dividir o Brasil em dois grandes grupos, tendo a Bahia como base; o humilde coronel Ventura, que conversava em métrica e rimas; o carioca Nicanor, um autêntico malandro da Lapa; a vendedora de cocada Maria Baiana, que não se conformava em ter que trabalhar; e a Vó Zefa, que vivia recordando o passado.
- Também marcavam presença alguns dos antigos personagens de Chico Anysio, como Coalhada, Salomé, Tavares, Roberval Taylor e o boneco de ventríloquo Chiquitin, que abria e fechava os programas.
- Em 1983, Jardel Mello e Cassiano Filho assumiram a direção. Alguns novos personagens, como Flora Romão e Dona Ilária de Gouveia, foram apresentados naquele ano.

Crianças, Amor, Brasil, Atualidades e Sabedoria
- A partir de março de 1984, Chico Anysio Show passou a ser exibido nas quartas-feiras, às 21h20, sob direção de Stepan Nercessian e Cassiano Filho. O programa foi dividido em cinco blocos temáticos.
- A primeira parte era dedicada aos personagens com apelo maior para o público infantil. Atores-mirins participavam de quadros com o Véio Zuza, um pai-de-santo maroto; e Cascatinha (Castrinho), o menino esquisito que era a alegria do pai. O segundo bloco chamava-se Brasil e apresentava tipos mais identificados com determinadas regiões do país, como o fazendeiro mais mentiroso do Ceará; o malandro carioca Azambuja , que armava golpes mirabolantes e deixava na mão o comparsa Lingüiça (Wilson Grey); e Bexiga, um paulista condenado ao exílio no Rio.
- O Bloco do Amor vinha a seguir, com casais como o esperto Tavares e sua mulher Biscoito (Zezé Macedo); e o ultrasovina Gastão Franco e sua mulher. Novos personagens de Chico Anysio foram aparecendo ao longo dos anos: o velhinho José Maria, marido de Maria José (Camila Amado), a quem ainda ama apesar dos muitos anos de convivência; Quirino, casado com Nonoca (Suely May), dois caipiras às voltas com a rotina da roça; o lorde milionário Tutu, que tem que lidar com as aventuras da mulher Dondoca (Mária Lúcia Dahl) e com a criada Tiete (Duse Nacaratti); Apolo, ou Apolônio Forte, que, apesar do nome, vive magro e sem forças graças à Pureza (Sandra Pêra), a esposa sexy e fogosa que não lhe dava sossego.
- O bloco seguinte era Atualidades e trazia o Jornal do Lobo, apresentado pelo locutor Roberval Taylor e vários comentaristas, todos interpretados por Chico Anysio; as entrevistas com o deputado corrupto Justo Veríssimo, que odiava mortalmente os pobres – “eu quero que pobre se exploda!” – e as conversas telefônicas de Salomé, a conhecida de longa data do presidente João Batista Figueiredo.
- O último segmento era inteiro do Profeta, um personagem que deixava sempre um mensagem cheia de sabedoria, único momento em que o programa saía do registro cômico. Mais tarde, o personagem Bio (Chico Anysio), um intelectual espirituoso que tinha saída para todos os problemas, também passou a fazer parte do bloco.

O salvador
- No Chico Anysio Show número 100 – exibido em 29 de agosto de 1984 – estreou o pastor Tim Tones (Chico Anysio), inspirado nos pastores evangélicos americanos e nos vários charlatões espalhados pelo Brasil que usam a religião para tirar dinheiro dos fiéis de sua igreja. Cego e manco, o falso pastor prometia curas milagrosas que nunca se confirmavam e, ao final dos cultos, repetia o bordão: “Vamos passar a sacolinha!”, enquanto seus “afilhados” – as crianças Ted, Tessy, Tifani, Teófilo, Tereza e Temístocles, entre outras – recolhiam o dízimo dos fiéis, que cantavam em coro a música de sua igreja – “Nos portais do escurecer/ frente as trevas do pavor/ sob a luz do bem-querer/ glória ao nosso salvador/ No negror da antiga era/ Nasce a luz de uma quimera/ Tim Tones/ Glória ao nosso redentor!/Tim Tones /Oásis no deserto da dor/ Tim Tones, Glória! Tim Tones/ Bonança nos tempos do amor!”.

TV QCV
- Chico Anysio Show mudou novamente em maio de 1985. Agora exibido nas noites de quinta, passou a ter como tema a programação da TV QCV – quadro que já havia sido exibido no Chico city, em 1973. Os personagens de Chico Anysio transitavam pelos estúdios, onde se gravavam os programas, pelos escritórios administrativos ou pelo refeitório da emissora. Justo Veríssimo era dono da emissora; o pai-de-santo gay Painho era o maquiador, por exemplo.
- Só dois personagens eram mostrados fora da TV QCV: Bozó, o eterno funcionário da Globo; e Coronel Bezerra, um fazendeiro poderoso que odiava ferozmente seu vizinho, o Coronel Pantoja (Jô Soares). O ódio era recíproco, mas os dois fingiam hipocritamente ser amigos. O quadro era exibido alternadamente no Chico Anysio Show e no Viva o Gordo, o humorístico de Jô Soares, que ia ao ar às segundas.

Vários temas e cenários
- Gonzaga Blota assumiu a direção de Chico Anysio Show em 1986, com supervisão geral de Nilton Travesso. Nessa temporada, o programa mudava de tema e ambiente a cada semana. Houve edições passadas em um hospital, em uma delegacia e um hotel e em uma loja de departamentos, por exemplo. Outras, foram dedicadas ao mundo do circo – gravado em um circo de verdade na Barra da Tijuca – e à Inconfidência Mineira.
- Dez novos personagens foram lançados no programa já no primeiro mês. Entre eles, Olindo, o costureiro pobre que gastava todas as parcas economias em fantasias de Carnaval; os nordestinos Heitor – tocador de triângulo de um trio de forró – e Sudênio, tão traumatizado pela seca que não podia ouvir nada que lhe lembrasse a caatinga; o moralista linha-dura dr. Salgado; Padre Miguel, o sacerdote que fazia qualquer coisa para conseguir atender aos fiéis; Capitão Trovão, ex-torturador na época da ditadura; Fukuda, japonês aprendendo a dominar a língua portuguesa; e o fanático por futebol Bolada, cujo melhor amigo era o cachorro Jorge.
- Os dois maiores sucessos, entretanto, foram Haroldo e Bento Carneiro. Haroldo Brazão é um homossexual que, por medo da Aids, tenta a todo custo convencer a si mesmo e aos outros que voltou a ser “hetero”. O grande fantasma do seu passado é Luana, codinome pelo qual costumava atender quando frequëntava o “reduto”, como vive sendo lembrado pela colega dos velhos tempos Leon (Paulette).
- Já Valdenino Bento Carneiro era um vampiro decadente e subnutrido, que vivia em situação de penúria em seu castelo, na companhia do ajudante corcunda Calunga (Lug de Paula). Com um sotaque caipira, ele se apresentava como “O vampiro brasileiro, aquele que vem do aquém do além, adonde que véve os mortos”. Bento Carneiro era sempre incomodado por forasteiros que encontravam seu caixão e tentava usar seus poderes para puni-los, com resultados desastrosos. Frustrado, só lhe restava rogar pragas. O bordão “Pra quem ri di eu, minha vingança sará maligrina!” caiu na boca do povo.



Volta às origens
- Chico Anysio Show retomou sua forma original em março de 1987, sob a direção de Atílio Riccó. Os quadros passaram a ser intercalados por esquetes curtos, que também serviam para anunciar os intervalos comerciais.
- Entre os novos personagens que foram sendo apresentados ao longo do ano, estavam o gângster Al Cafone, que tentava eliminar a concorrência a qualquer custo; Corrimão, o presidiário distraído que atrapalhava os planos de fuga dos colegas; Calheiros, pai supermachista; Prometeu, sempre interrompido durante sua lua-de-mel; Lobato, dublê de motorista e mordomo que sempre pagava o pato pelas aventuras da patroa; e Roda-presa, taxista de Brasília que discutia a situação política do país com os passageiros.
- Em abril, Chico Anysio e Olney Cazarré passaram a fazer Bonfim e Boamorte, dois sócios que se odiavam e resolveram, à beira da morte, revelar todas as trapaças que armaram uns contra os outros ao longo dos anos.
- Em julho, Cininha de Paula e Carlos Magalhães se tornaram os diretores do programa.

O criador apresenta suas criaturas
- Em 1988, Francisco Milani e Cininha de Paula assinavam a direção do Chico Anysio Show, que voltava a ser exibido nas noites de quarta-feira.
- Nessa temporada, Chico Anysio abria o programa e todos os blocos no seu camarim, sem maquiagem. O humorista falava um pouco sobre seus personagens, às vezes com a companhia de algum convidado especial.
- O programa iniciou o ano com alguns personagens novos: Albarde Grilo da Silva, neurótico que não saía do consultório do analista; Zealberto Zel, candidato a prefeito de uma cidade do Nordeste; o banqueiro de bicho Oswaldão Leão Coelho, e seu filho Rodolfo (Felipe Martins), que sonha em ser bailarino; o senador Paulo Jeton, que odiava Brasília; e Zé Faxineiro, responsável pela limpeza do gabinete do presidente da República. Em maio, estreou outro tipo: o caipira Brasilino, funcionário da Fazenda Brasil que não conseguia entender os projetos do patrão.
- Da nova safra, dois tipos se destacaram. Jovem era o rebelde que fazia, com a ajuda do amigo Cabuça (Marcelo Caridad), qualquer coisa para desafiar o sistema, mas ainda vivia sob a superproteção da mãe (Lupe Gigliotti). A aparência, a voz e o jeito de falar do personagem foram inspirados na interpretação do ator Taumaturgo Ferreira na novela Mandala. Já Marmo Carrara é um delegado durão que desvendava crimes misteriosos e tinha um ajudante vivido por Antônio Pedro que era apaixonado por ele. “Por que logo eu, com esta cara de macho?”, dizia. “São esses meus olhos cor de mel...”.

A nova Escolinha
- Outro grande sucesso do programa em 1988 foi a volta do professor Raimundo e sua escolinha. Entre outros personagens, participavam do quadro: Bertoldo Brecha (Mário Tupinambá), o nordestino temperamental que perdia a cabeça quando era chamado de “camarão”; Cacilda (Cláudia Jimenez), uma gordinha obcecada por sexo, com cabelo e roupas iguais à da Xuxa, que costumava se despedir com o bordão “Beijinho, beijinho; pau, pau”; João Bacurinha (Olney Cazarré), corinthiano roxo e meio bronco; Ptolomeu (Nizo Neto), o mais inteligente da turma; Dona Bela (Zezé Macedo), uma senhora ainda virgem que se escandalizava com as palavras obscuras citadas na aula; Jovelino Barbacena (Antônio Carlos), um mineirinho matreiro e desconfiado; e Marina da Glória (Tássia Camargo), aluna sexy que errava todas as perguntas, mas era o xodó do professor Raimundo.
- Em 1989, não houve grandes mudanças na estrutura do programa. As conversas no camarim de Chico Anysio continuaram, com a participação de personalidades como os políticos Fernando Collor de Mello, Cidinha Campos e Leonel Brizola, o cirurgião plástico Ivo Pitanguy, a jogadora de basquete Hortência e o roqueiro Lobão.
- Dois novos personagens estrearam no início do ano: o Coronel Lidu, um patriarca rural e moralista; e Francisco Sulfrágio, um político que tinha horror à idéia de ser presidenciável, mas cujos discursos só aumentavam seu prestígio no partido. A Escolinha do Professor Raimundo também ganhou novos alunos, entre eles Bicalho (Antônio Pedro) e Eustáquio (Grande Otelo). No final de maio, estrearam Os equilibrados, um grupo de pacientes que conversava enquanto aguardava atendimento numa clínica de psicanálise.

Reforma
- Grandes mudanças vieram em 1990, quando Chico Anysio Show passou a ter duas horas de duração e a ser exibido nas sextas-feiras, às 21h40. A estrutura foi totalmente reformulada, e o programa foi dividido em seis blocos, todos iniciados com breves comentários feitos pelos personagens de Chico Anysio.
- O cenário nos dois primeiros blocos era a cervejaria Chopp Chopp Show, ponto de encontro dos personagens.
- O terceiro bloco era todo dedicado à Escolinha do Professor Raimundo. O quadro contava com 16 alunos naquele ano, entre eles Aldemar Vigário (Lúcio Mauro), que vivia contando lorotas acontecidas em Maranguape e protagonizadas pelo “jovem, franzino e cabeçudo” Raimundo Nonato; e Geraldo (Castrinho), um sujeito esquisitão que encerrava suas histórias estranhas declamando o próprio nome.
- O quarto e o quinto blocos tinham como cenário um hospital, e o último, uma Luarada, um arraial que acontecia no quintal da casa de Pantaleão.
- Os novos personagens interpretados por Chico Anysio eram o analista inconveniente dr. Hilário e o ciumento Napoleão, que implicava com todas as amigas da mulher.
- Uma edição especial de Chico Anysio Show, exibida em 1990, em que os personagens de Chico Anysio estrelavam famosos contos infantis, recebeu a Medalha de Ouro como o melhor programa de humor e a Medalha de Bronze na categoria Geral, no Festival de Vídeo de Nova York de 1991.

Produção:
- Em 1982, Chico Anysio Show era gravado nos estúdios da Cinédia, na cidade do Rio de Janeiro, com uso do chromakey (que permite que a imagem captada por uma câmera possa ser inserida sobre outra) para que as cenas parecessem ter sido feitas em externas.
- Em 1983, o programa ganhou uma abertura feita em cima de desenhos de Maurício de Sousa. Os quadros passaram a ter cenários próprios. Eram precedidos por vinhetas gravadas nos lugares onde os personagens moravam. Imagens de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, serviam de introdução para o quadro de Salomé, por exemplo. No ano seguinte, no lugar das imagens, versões em desenho animado das fachadas das casas dos personagens introduziam os quadros.
- Em 1988, uma abertura idealizada pelo designer Hans Donner apresentava 36 dos personagens de Chico Anysio sob a forma de máscaras, graças a uma tecnologia japonesa que transformava figuras bidimensionais em tridimensionais.
- Na abertura do Chico Anysio Show de 1989, Chico Anysio aparecia de cara limpa no vídeo e tinha o rosto distorcido na medida em que puxava o nariz, arregalava os olhos, ou apertava o maxilar. O efeito foi conseguido com o uso do System G, tecnologia recém-desenvolvida à época. Hans Donner e José Dias viajaram para o Japão para trabalhar com o equipamento, que só se tornou disponível no mercado dois anos mais tarde.
- Além do próprio Chico Anysio, que assinava a redação final, também foram redatores do programa Marcos César, Nani, Arnaud Rodrigues, Irvando Luís, Giuseppe Ghiaroni, Mário Tupinambá, Jomba, Ayres Vinagre, Giuseppe Ghiaroni, Iara Maura, Stepan Nercessian e Felipe Wagner Vicente Pereira, Leo Batista, Wilson Vaz Paulo Duarte, Mauro Rasi, Maria Lucia Dahl, Luís Felipe, Luiz Carlos Góes, Jesus Rocha, Jomba, José Sampaio, João Carlos Viegas, Ayres Vinagre, Flávio Migliaccio, Elisa Palatnik, Guto Franco, Paulo Duarte, Rose Duarte, Antônio Pedro, Roberto Silveira e Bruno Mazzeo.

Fonte: Memória Globo.

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